segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Já ouviu falar sobre o Bechdel? Isso vai fazer você repensar a mulher e a industria de entretenimento

segunda-feira, 3 de novembro de 2014


Já percebeu que a maioria das pessoas envolvidas com o entretenimento é do sexo masculino? Seja atuando, dirigindo ou trabalhando nos bastidores, os homens ainda são a maioria em filmes, séries e outros programas. Isso significa que as mulheres não demonstram interesse ou aptidão para competir nesse gênero? A resposta logicamente é não, é entrega um certo machismo com o que assistimos atualmente. 

Apesar do clube do bolinha ter aceitado a presença feminina, ainda é nítida a diferença entre gêneros na Industria, o Oscar levou 82 anos para escolher uma mulher como melhor diretora, Kathryn Bigelow por "Guerra ao Terror", Tina Fey, uma das maiores comediantes da atualidade, só foi pode atuar no Saturday Night Live (mesmo sendo roteirista do programa por anos) depois de perder 30 quilos. Mas o que isso tem a ver com o tal Bechdel? Ele é um teste que quantifica a presença feminina em produções e avalia se o enredo valoriza a mulher ou trata ela apenas como uma "peça" do roteiro.

Mas o que é exatamente o teste Bechdel? 

Em 1985, a cartunista Alison Bechdel usou a ideia principal do teste em seu quadrinho "Dykes to Watch Out For" (que abre esse texto). Era uma ideia despretensiosa, mas com uma avaliação tão interessante que a ideia pegou. No diálogo as personagens impõe três condições para ver um filme:

- Há mais de uma mulher com falas? 
- Essas mulheres conversam entre si? 
- O assunto da conversa é algo além de um homem?

Essas três perguntinhas já cortam vários filmes conhecidos.Praticamente qualquer comédia romântica, sucessos de bilheteria como "Avatar" e séries como "The Big Bang Theory" (que deveria ser sobre nerds, mas as três personagens regulares praticamente só falam sobre seus parceiros). através do testo é possível verificar que o terreno das produções não é igualitário entre homens e mulheres - e que elas ainda recebem menos, como mostra a lista dos artistas mais bem pagos da Forbes, onde os dez atores da lista receberam quase 200 milhões de dólares a mais que as dez atrizes com melhor salário. Lembrou da reivindicação das menininhas que falam palavrão?

A New York Film Academy foi mais fundo e em 2013 estudou a industria cinematográfica, revelando que, em média, as mulheres têm apenas 30% dos papéis com falas nos 500 filmes mais vistos entre 2007 e 2012. O estudo ainda apontou que apenas 6% dos longas produzidos nesse período tinha um elenco balanceado (entre 45 e 55% de mulheres com falas).



O teste é 100% confiável?

Apesar de ser um tapa na cara, o teste acaba restringindo a lista de filmes que passaram com louvor pelo Bechdel. "Gravidade", filme em que Sandra Bullock tenta voltar para a Terra enquanto lida com a perda da filha  é uma dessas reprovações por um detalhe bobo: a personagem não interage com nenhuma outra mulher porque ela passa quase o longa inteiro sozinha no espaço. "Mulan", uma das animações mais legais da Disney tem o mesmo problema: a chinesa é a protagonista, luta com seus temores e assume responsabilidades, mas como não discute nenhum desses problemas com outra mulher, não passa no Bechdel.

Talvez um teste Bechdel 2.0 resolvesse essa questão, levando em conta por exemplo que existem filmes em que mulheres são protagonistas mas não discutam seus problemas com outras mulheres, elas podem ter amigos homens e falar de outros fatos além de "temas do coração" (Princesa Leia sofre de concorrência desleal masculina em "Star Wars", mas não deixa de ter personalidade, pensamentos, participar de toda a batalha e mostrar seu ponto de vista, já que é ela que amarra grande parte da amada franquia nerd).

O ideal para avaliar uma produção igualitária é pensar se aquele personagem existiria sem a presença de homens no enredo. Um que mulheres tivessem existência própria e não precisassem estar de roupas curtas para ganhar todo esse segmento da direção do projeto. Precisamos de mais Katniss Everdeen, que mesmo sem Peeta e Gale continuaria sendo o tordo, do que Bellas Swan, que tinha como objetivo de vida arranjar um vampiro para chamar de seu.



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