terça-feira, 4 de novembro de 2014

Taylor Swift, o Spotify, a indústria musical e uma playlist engraçadinha

terça-feira, 4 de novembro de 2014


Taylor Swift saiu do Spotify prestes a quebrar um recorde com seu novo álbum "1989". Desde ontem, a "nova princesinha do pop" não permite o streaming de suas canções no player, mas seria isso uma revolta com o modelo de mercado do Spotify e o modo como o artista recebe (muito) menos que a gravadora? Mais ou menos. A imprensa gostou do discurso e cita desde ontem o editorial que a cantora escreveu no Wall Street Journal" onde diz que "a pirataria, o compartilhamento de arquivos e a reprodução on-line reduziram drasticamente a venda de álbuns".

O que faz sentido em um mundo em que o maior player atual paga menos de um centavo de Dólar por execução ao intérprete e muito mais que isso para a gravadora. Mais o buraco pode ser ainda mais embaixo: Taylor deve quebrar um grande recorde amanhã, quando sai a lista da Billboard, e de maior venda na primeira semana de artista feminina - a dona do posto é Britney Spears que vendeu 1.3 milhões de unidades com "Oops...I Did It Again" (2000). Com o streaming, os números de venda podem ser afetados, e a moça não consiga nem o primeiro disco de platina dos EUA esse ano nem o recorde de Britney. Mas por que a gravadora apoiou a decisão (ou tomou a decisão, de acordo com a Bussiness Inside)? Taylor é o maior nome de sua gravadora a Big Machine Label Group, e o dono do grupo quer vender o selo. Isso significa que quando mais vende, mais valoriza o valor de venda da Label e mais feliz fica Taylor (para desespero da Universal, que distribui as canções de loira).



Essa ação é completamente contrária ao mercado fonográfico atual. De acordo com um dos levantamentos de música mais conhecidos dos Estados Unidos, o Nielsen/SoundScan, o stream aumentou 42% no primeiro semestre de 2014, contra a queda de 11% das vendas gerais (incluindo música digital) e 19% em vendas físicas. O Brasil também não está longe disso, e viu nos últimos dois anos os números não só saírem do vermelho como começar a lucrar com a música digital e do serviço de streaming. Isso significa que Taylor Swift lançou uma tendência? a resposta é não. Desde sempre os artistas tem problemas com a distribuição de suas canções, e cada um reagiu de um modo diferente. Beyoncé lançou um álbum sem nenhuma divulgação, Radiohead lançou tendência no"pague quanto quiser", U2 se deu de presente aos fãs pelo Itunes. 

O Spotify por outro lado, não está feliz já que Taylor Swift é uma das cantoras mais queridas do serviço - e passou as últimas semanas entre as mais ouvidas do player. O saída do serviço gerou comoção entre os fãs e o Spotify quer a moça de volta para seus 40 milhões de usuários, tanto que fez uma playlist engraçadinha intitulada "volta, Taylor!".




(Foquem nos títulos das músicas. "Hey Taylor, we wanted to play your amazing love songs and they're not here right now. We want you back with us and so do, do, do. Your fans", ou em português "Hey Taylor, nós queremos tocar suas maravilhosas canções de amor e elas não estão aqui no momento. Queremos você de volta com a gente, então faça, faça, faça. Seus fãs").

Atualizando o caso "Taylor x Britney":

A lista da Billboard saiu e Taylor não bateu Britney - mas vendeu muito bem, com seus 1.287 milhão de álbuns em apenas uma semana. Será que agora ela volta para o Spotify?


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