quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O filme do diretor de Amelie Poulain que deveria ser de Wes Anderson

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014


Era uma vez um menino de 12 anos superdotado que ganha um prêmio científico. O juri não sabe que ele é um menino e ele não quer contar aos pais e resolve agir como o garoto que é (apesar de superinteligente): foge de casa para atravessar o Estados Unidos inteiro e pegar seu prêmio. O enredo é fofo e envolve problemas familiares, mas teve algo na fotografia e na direção que não me convenceu. Jean-Pierre Jeunet volta em suas origens com "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" depois de 12 anos, mas o problema é o efeito que essa mais de uma década causou: o longa é bom, mas não o suficiente para não reparar na fotografia que parece um plagio de si mesmo ou pior, uma cópia de Wes Anderson.

Jean Piere não gosta de Wes Anderson, e inclusive diz que os filmes do diretor não prestam, e é ai que mora o problema: tirando a simetria louca, cada cena amarelada me lembrou "Moonrise Kingdom" e cada personagem mirabolante e além do crível me parecia saído da mente de Wes. A mãe de T.S. (vivida por Helena Bonham Carter), por exemplo, apesar do arrombo emocional final, calmamente poderia ser do clã dos Tenenbaums.


Mas vamos falar de fofura. T.S. é uma criança excepcional com problemas familiares e que no auge do filme faz um discurso sobre o irmão de chorar. É ai que entra a diferença do longa. Partimos do bizarro para o drama familiar, muito melhor do que até então estava se desenrolando na tela. Vira um filme sensível nos minutos finais onde até então só curtíamos a fotografia ridiculamente bonita - o que já compra o ingresso de quem quer tentar ver a história do jovem e prodigioso T.S. Spivet (The Young and Prodigious T.S. Spivet no original). Vale a pena tentar ver.

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