sábado, 13 de dezembro de 2014

Sailor Moon e suas guerreiras lunares eram feministas?

sábado, 13 de dezembro de 2014


Eu deveria ter cinco ou seis anos, a Manchete estava em seu auge e Sailor Moon começou a dominar meus dias. Minhas amigas da escola rapidamente declararam que cada uma delas era fulana e só me sobrou a Sailor Jupiter (apesar de claramente a Sailor Marte ser livremente inspirada na minha personalidade). 20 anos depois, entrei em uma missão de fazer minha sobrinha de oito anos ver desenhos muito mais legais do que atualmente passam na televisão ou no Netflix - ou seja, uma chata saudosista - como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e a história das guerreiras da lua, e foi assim que cheguei a constatação do título: Sailor Moon é uma aula de feminismo, respeito de gênero e amor independente do sexo no RG.

Claro que a internet me contou que não fui a primeira a chegar a essa conclusão, a Nuta do Girls With Style, por exemplo, contou em um texto sobre como Sailor Moon foi o primeiro contato dela com o feminismo. A história foi criada pela japonesa Naoko Takeuchi, e ao contrário da maioria dos animes que chegavam pelas terras brasileiras, tinha mulheres (adolescentes) como protagonista. Além disso, cada uma tem seu estilo e personalidade, o que deixa a discussão do girl power ainda mais forte, afinal, você pode ser o que quiser e continuar acreditando na igualdade e no poder das mulheres de "fazer acontecer" com respeito, amizade e sororidade.



Além das protagonistas femininas, temos casais como Sailor Urano e Netuno e os vilões Ziocite e Malachite, o transgênero Olho de Peixe e um trio de transexuais (que descobri no GWS porque nunca cheguei nessa temporada de Sailor Moon), além de assuntos ainda mais delicados, como a culpabilização da vítima em estupros - sempre de um jeito considerado natural e sem forçar a barra com o público alvo porque sim, crianças podem entender sobre assuntos delicados e questões de minorias.

A geração que resolveu apoiar o feminismo e deixar para lá o conceito de "é coisa de mulher maluca feminazi" é a mesma que assistiu Sailor Moon na Manchete. Coincidência ou não, as guerreiras da lua foram uma importante forma de representabilidade para as meninas da época, um ensinamento de que se pode ser a heroína e não mais a vítima presa na torre esperando o herói chegar.  Apesar dessa influência, o anime de Sailor Moon peca em algumas coisas a ponto da própria Naoko não gostar da versão desenho de sua história. Dizem as más línguas que o problema foi o diretor, que deixou de lado o crescimento pessoal das meninas nos mangás para investir no lado chorão de Serena e outras histórias familiares em vez de partir para a luta contra o mal, como o mangá.



Verdade ou não, o importante é que finalmente iremos descobrir se isso é verdade ou não. A JBS lançou o mangá original em abril - acreditam que até então ele não havia sido lançado no Brasil? - e como boa adulta que sou, assinei para receber em casa meus mangás editado em comemoração dos 20 anos de Sailor Moon. Diferente do anime, a história é mais rápida e terá apenas 12 volumes, que você consegue comprar aqui.

Para quem vive no mundo da lua e nunca ouviu falar, a história é a seguinte: Usagi (a Serena do anime) é uma ginasial de 14 anos. Como muitas meninas de sua idade, é desastrada, distraída e um tanto preguiçosa. Em um encontro, aparentemente ao acaso, a jovem acaba conhecendo Luna, uma gatinha falante, e através dela descobre ser dona de incríveis poderes. Por conta disso, recebe uma grande missão! Agora ela terá de encontrar suas companheiras, descobrir se o misterioso homem mascarado que ela acha lindo é amigo ou inimigo e proteger uma princesa! 

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