terça-feira, 27 de janeiro de 2015

"O Mundo Amarelo" de Albert Espinosa

terça-feira, 27 de janeiro de 2015


Já contei aqui que uma das minhas séries favoritas de sempre é "Polseres Vermelles", uma série catalã sobre crianças em um hospital. O criador é Albert Espinosa, que passou dez anos com câncer, perdeu uma perna, um pulmão, passou parte da adolescência em um hospital, aprendeu várias coisas e resolveu registrar muitas delas no livro que virou série - dizem que o protagonista é praticamente o eu lírico do Albert.

Então achei o "O Mundo Amarelo" do Albert em um passeio por uma livraria virtual. Já tinha ouvido falar do livro, é basicamente tudo o que o escritor aprendeu durante os anos de doença, mas de uma forma que o câncer não é o protagonista, e sim os ensinamentos. Estava morrendo de medo de ser autoajuda, odeio livros nessa linha, como se fossemos todos estúpidos e precisássemos aprender a "enriquecer sozinhos" ou "emagrecer comendo menos pão" com a ajuda de um autor. Apesar do Albert dizer que não é autoajuda, para quem não conhece sua história, parece muito, principalmente porque apesar de conselhos bem aleatórios, todos eles tem morais e conselhos:







Então eu ignorei toda essa parte (são 23 conselhos sobre coisas aleatórias) e foquei nas histórias por trás dos conselhos - é impressionante como todos os amigos viraram personagens dos Pulseras e como o roteiro é autobiográfico. Além dos ensinamentos, Albert fala sobre o tal mundo amarelo, onde existem pessoas amarelas e como todo mundo conhece amarelos ao longo da vida:

AMARELO. Definição: Diz-se da pessoa que é especial em sua vida. Os amarelos se encontram entre os amigos e os amores. Não é necessário vê-los com frequência ou manter contato com eles. (p.118)

Eu tenho certeza que todo mundo gosta mais da primeira parte do livro, mas poética, mais biográfica e com mais coisas tangíveis. Já eu, me identifiquei com os amarelos. A questão é a seguinte, nunca fui boa em manter contato com pessoas, tenho amigos que não falo há anos, mas se encontrar, conversamos por horas (do mesmo jeito que tenho uma pré-disposição a bater papo com desconhecidos que não pareçam ameaçadores). Então percebi que sem conceitualizar, tive muitos amarelos e fui a amarela de muita gente - apesar do Albert focar diversas vezes em só poder ter 23 ao longo da vida.

O livro é interessante, mas nunca leria se não fosse por conhecer o trabalho do Albert Espinosa - o que com certeza mudou o meu olhar na leitura, como disse ai em cima. Também só indicaria para quem gosta de autoajuda ou é chegado em um sick-lit, para quem não quer devorar "a verdadeira história" de Jordi, Ignaci e cia, chega a ser meio melodramático ou engraçadinho demais, como se o autor tivesse que dar voltas para falar sobre algo por estar decidido a não transformar o livro em "como superei o câncer". É um bom livro, mas eu esperava mais. Em média, "O Mundo Amarelo" custa até R$20, e existem várias opções de loja virtual para comprar.

Sinopse:Aos treze anos, Albert Espinosa foi diagnosticado com câncer, algo que mudou sua vida para sempre. Aos catorze, sua perna esquerda teve de ser amputada. Aos dezesseis, o pulmão esquerdo foi removido, e ele tinha dezoito quando parte de seu fígado foi retirado. Quando finalmente disseram que ele estava curado, depois de dez anos entrando e saindo de hospitais, Albert percebeu que havia aprendido uma lição com a doença: triste não é morrer, mas não saber viver. Albert Espinosa nunca quis escrever um livro sobre o câncer. Em vez disso, ele escreveu um livro sobre o mundo amarelo. 

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