quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sobre literatura e mulheres: qual é a sua autora favorita?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Já parou para pensar que enquanto as mulheres não tem problemas em ler livros escritos por homens, muitos membros do sexo masculino torcem o nariz para algumas autoras clássicas com a desculpa de que é leitura feminina? É só ver as diversas listas de autores mais famosos ou bem pagos, mulheres são praticamente cota em uma lista dominada por homens, será que elas escrevem mal? Não é bem assim.

A coisa muda de figura quando se para para pensar na discrepância editorial, pois apesar de serem as leitoras mais vorazes, mulheres são menos divulgadas, resenhadas e publicadas - no Brasil, o tema apareceu na matéria "Escassez de mulheres no mundo editorial é questionada" do jornal O Globo, uma discussão sobre como o mercado editorial vê as autoras brasileiras e como isso não parecer ser um problema para as editoras. No mundo, o dilema ganhou até gráficos do VIDA (Woman in Literary Arts) provando por A + B que a conta não fecha na hora de privilegiar a resenha de livros.




Então você pensa, poxa Karen, besteira isso, heim? Escolho livros pela história, não pelo sexo do autor. Ai que mora o ponto sensível, se o mundo não tem acesso a uma igualdade de números de autores, como você espera ter mais acesso a produções escritas por mulheres de forma igualitária? Além disso, é hora de deixar de lado esse conceito de "literatura feminina" ou "de mulher". Existem gêneros, como o young adult e o chick lit que são dominados por autoras e leitoras do sexo feminino, mas classificar um tipo de texto baseado no gênero sexual do autor chega a ser constrangedor, histórias são histórias e não importa se uma mulher ou homem escreveu sobre terror, será terror do mesmo jeito.

E é ai que entra o "jeitinho feminino" que o mercado editorial insiste em abordar: no brasileiro, a questão é sobre como toda mulher quer ser a nova Clarice Lispector (dúvida, está lá na matéria do O Globo). Já no mundial, é a eterna ideia de que homens vendem mais e textos de mulheres precisam ser enfeitados para atrair mais mulheres - existem duas histórias legais que li nessa matéria do Guardian que exemplificam isso: J.K. Rowling, que sumiu com os dois primeiros nomes para criar um ar de mistério sobre a autoria de Harry Potter, e Lionel Shriver, que reclamou de como escolheram uma capa cheia de coisinhas femininas para um livro escrito por ela (gente, Lionel escreveu "Precisamos Falar sobre Kevin", não dá para ter florzinhas na capa desse livro).



Para tentar combater um pouco essa tendência, escritora Joanna Walsh criou o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), para discutir a desigualdade e dar dicas de leitura durante todo o ano passado, um desafio de livros como muita gente gosta. O resultado, potencializado pelo movimento de valorização e empoderamento feminino que aconteceu em 2014, chamou atenção, mas ainda está longe de conseguir um tratamento editorial igualitário. Apesar de já estarmos em 2015, o trabalho de Joanna segue forte, como é possível conferir no twitter e Facebook do projeto (e como ela explicou nesse outro artigo do Guardian).

E o que nós podemos fazer? o primeiro passo é abrir o coração para novas autoras. Infelizmente o mercado editorial ainda vai escolher o que ele vai publicar e o que não vai, mas nós sempre podemos dar uma oportunidade a uma autora de listas e indicações - como as datas pela Joanna. Para quem quer indicações brasileiras, o #Readwomen2014 criou um endereço em português, o Leia Mulheres 2014. Além disso, indico dois sites recheados de informação: o artigo do Arthur Tertuliano no Posfacio, sobre como ele implica com a hashtag que parece publicitária demais, e uma matéria do Brasil Post com 22 livros escritos por mulheres para ler. Vale a leitura de tudo isso.

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