segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Dê uma chance aos filmes antigos: "A Malvada"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015


Adaptar histórias reais em filme não é exclusividade dos tempos atuais. Baseado em uma coluna sobre uma jovem atriz ardilosa que se aproximou de uma artista em decadência para se aproveitar dos conhecimentos e contatos, "A Malvada" estreou em 1950. O filme conta a história de Eve Harrington (Anne Baxter), que vai todos os dias a porta do teatro ver a atriz Margo Channing (Bette Davis). Com uma história humilde e trágica, ela começa a conviver com a estrela do teatro e seus amigos. O que Eve quer na verdade - e que quase ninguém repara até mais da metade do filme - é que ela deseja o lugar de Margo. O único que repara no caráter de Eve é o crítico de teatro Addison DeWitt (George Sanders), narrador de parte do longa.

Por que o filme é tão legal? 
Porque ninguém repara como é Eve enquanto você, expectador do século XXI já sacou qual é da garota golpista, praticamente uma subcelebridade tentando chegar ao limbo. Ou seja, quando Addison começa a narrar, ele é a alma sã, junto ao espectador, que entende como tudo aconteceu. Além disso, apesar de Anne Baxter ser uma ótima atriz, só temos olhos para a Margo de Bette Davis.

Ela é a dona dos grandes quotes do filme e sem ela, "All About Eve" não seria o sucesso que foi e é. A personagem é descaradamente inspirada em Tallulah Bankhead, uma atriz excêntrica de teatro, com voz grave e sempre vista com um cigarro na mão. A questão era tão descarada, que Bette sabia quem se inspirar (assim como a figurinista Edith Head, que recebeu o pedido de montar "um guarda roupa de Tallulah que caísse bem em Bette Davis"). Bem parecida, não?




(Sim, você não está vendo errado, essa é a Tallulah Bankhead, não a Bette Davis)

Apesar do filme ter 65 anos, a história é bem atual. Temos a atriz em crise pela idade (Hollywood não perdoa as atrizes que envelhecem, lembram?), a sangue-suga que quer subir as custas dos outros, a crítica ao mundinho pantanoso dos famosos e como que desde que mundo é mundo, existe gente de caráter duvidoso. É um show do elenco principal, com 14 indicações ao Oscar - que deve que escolher entre Anne Baxter e Bette Davis como melhor atriz e resolveu não dar o prêmio para nenhuma das duas - e uma história que ainda é ótima mesmo décadas depois.

Eu sei que o post está longuíssimo, mas não vou conseguir não escrever isso e deixar vários gifs da maravilhosa Margo Chaning. Ela rouba os holofotes fortemente e é dona das melhores tiradas do longa:






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Para quem ficou curioso sobre quem era a verdadeira Eve, ai vai a história: Elisabeth Bergner, atriz de Viena, era protagonista da peça "The Two Mrs. Carrolls". Assim como no filme, uma jovem ia ao teatro todos os dias, e tocada com a devoção da "fã", Elisabeth a convidou para as coxias. A garota, Ruth Hirsch, se tornou assistente da atriz e confessou que gostaria de ser atriz.

Bergner ajudou Ruth, que estreou na Broadway no ano seguinte - a questão é que ela aproveitou uma ausencia de Elisabeth para substitui-la em "The Two Mrs. Carrolls" (já com o nome artistico de Martina Lawrence) e tentar seduzir o marido dela. Se é tudo verdade, ninguém pode saber, mas Mary Orr, esposa de um amigo do marido de Bergner, soube da história pela atriz e não teve dúvidas, escreveu o conto "The Wisdom of Eve". O texto foi publicado na revista Cosmopolitan, chamou atenção de Joseph Mankiewicz e virou "A Malvada" em menos de cinco anos.

Interessou? Falamos um pouquinho sobre "Tarde Demais Para Esquecer" de 1957 e "Aconteceu Naquela Noite" de 1934.

2 comentários:

  1. Estou adorando essa série de posts, genial! :)

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    1. Se incentivar as pessoas a ver já está ótimo! ;)

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