terça-feira, 3 de março de 2015

"Laggies" e a síndrome de Pater Pan

terça-feira, 3 de março de 2015
Vou confessar: fazer 26 anos está me tirando do sério. Tem gente demais casando e tendo filhos ao meu redor enquanto eu tenho discussões filosóficas pertinentes como "janto pipoca ou sorvete?", e com esse clima de não saber bem o que fazer com a vida, cai em "Laggies" - que recebeu o belo título de "Encalhados" no Brasil quando não tem ninguém encalhado na história, tipo o noivo neurótico e a noiva nervosa que não eram noivos.

Mas qual é a história? Megan (Keira Knightley com um sotaque norte-americano com o jeitinho de falar inglês, ou seja, esquisito) vive com o namorado e não tem um emprego formal, ajudando o pai em seu negócio. Entre vários conselhos dos amigos casados, com filhos e etc, o namorado a pede em casamento. A questão? ela está incomodada com todo mundo, que parecem diferentes e bem distantes das pessoas que ela costumava gostar - o filme deixou claro que elas perderam o humor quando se tornaram adultos, super caricato, mas enfim.


Então ela conhece um grupo de adolescentes e se sente mais a vontade com eles do que com os "melhores amigos", e decide que precisa tirar um tempo para descobrir o que ela quer fazer da vida. Ela então finge que precisa fazer um retiro em busca de auto conhecimento profissional, mas de fato ela se esconde na casa da sua nova melhor amiga, a adolescente Annika (Chloë Grace Moretz).

Parecia um prato cheio para essa geração meio perdida, né? Só que o enredo se perde, forma-se um triângulo amoroso muito forçado e temos um final feliz com pinta de comédia romântica. "Laggies" não abraça a ideia de que não precisamos mudar para amadurecer, que apesar de diferentes dos "adultos chatos", ainda assim, somos adultos. Ele para de evoluir na parte final, como se o roteiro tivesse sido editado para caber no tempo do longa-metragem e resolvessem os personagens de um jeito bobo e superficial. Vale a pena pelo plot, vale a pena pela noção que esse tipo de crise dos vinte e poucos já é quase uma regra da minha geração, mas mata a empolgação com um final corrido e com sabor de sessão da tarde.

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