terça-feira, 7 de abril de 2015

Abrir ou não abrir mão do termo "plus size"?

terça-feira, 7 de abril de 2015
Nic Pardon


O mundo tem mais de 2 bilhões de pessoas obesas e com sobrepeso, quase 30% da população mundial, mesmo assim, o corpo ideal para a industria da moda é o alto e magro, quase esquelético - a ponto de países como a França terem que regular a magreza excessiva das passarelas. Já dei alguns pitacos sobre o tema aqui, sobre como somos bombardeadas por ideais de "corpos perfeitos", bem parecido com os das modelos e longe do biotipo de muita gente, mas o tema volta aqui de outro modo, deveríamos abolir o termo plus size em nome de uma moda mais democrática?

Os estilistas defendem que escolhem as modelos magras por suas medidas específicas, para criar um efeito "cabide": eles criam as peças com um tamanho padrão e contratam as garotas com quadris, seios e cintura do tamanho certo, evitando a confusão de centímetros a mais ou a menos nas peças, e consequentemente, menos estresse para o desfile. Essa concepção da moda é relativamente nova, surgida com Twiggy nos anos 1960, que se destacou em um mercado, que vejam só, antes era dominado por mulher com curvas.


Então na última semana apareceu o manifesto de Stefania Ferrario, dizendo que ela é uma modelo em tempo integral, que era para largamos o "plus size". É mais um do grupo de modelos que querem reconhecimento na profissão em vez de serem só as "belezas exóticas" da indústria de gente magra - como a modelo lá da foto da abertura, Kamie Crawford que declarou que é "uma modelo e é só isso". E em um munto em que 1/3 da população é obesa ou tem sobrepeso, elas não estão erradas, tem gente querendo se vestir bem, sonhando com aquela peça desejo, mas ou ela só é feita até determinada numeração, ou existe a opção da peça em tamanho menor mas com o tamanho todo errado. Está mais do que na hora de diversificar.

É preciso pensar que o consumidor, aquele que coloca o dinheiro no produto, além de querer looks desejos - e comprar a balela do corpo perfeito - também quer se identificar, participar do movimento, e ignorar essas mulheres é não perceber que poderia lucrar, e muito, se a visão do público alvo das marcas fosse mais abrangente. Pensando nisso, a revista Cosmopolitan fez essas montagens, argumentando se faz tanta diferença assim uma modelo usar 34 ou 44 em uma passarela, se compromete caimento ou o estilo da peça. Julguem vocês mesmas:



(Sou team número maior porque acho incrível ver o caimento em coxas grossas e quadril largo com o meu em vez de só ficar imaginando como ficaria)


Por outro lado, o termo plus size abriu portas. Há dez ou 15 anos, seria impossível achar roupas legais em manequins acima de 44, era como se a moda acima do "corpo padrão" da indústria não existisse - o que significa roupas disformes e sem muito estilo para quem as usava. Hoje existe todo um ramo consciente que tem que ter roupa estilosa, com corte ideal para segurar os seios grandes, para acomodar a barriga sem apertar e machucar, que faz lingerie sexy para quem tem mais de 120 cm de quadril porque todo mundo tem o direito de usar calcinha e sutiã lindos e com boa sustentação.

É uma industria florescente e com iniciativas ótimas - conhecem o Bazar Pop Plus Size da Flavia Durante? - que merece ter sua linguagem própria. Talvez ganhar outro nome, chamar apelas de "para mulheres acima de 44", aproveitar e rebatizar toda a modelagem e unificá-la (tenho uma amiga que só compra na sessão infantil por vestir menos que o "padrão", ou seja, infantil aos 23 anos). Talvez eu só esteja viajando sobre como o termo, nas classificações de modelos como Stefania Ferrario, mulheres de corpos lindos que são cortadas de casts por não ser o "padrão da indústria", mas que se assemelharem muito mais ao público alvo do que a magreza excessiva que ainda reina nas passarelas. E então jogo a dúvida para vocês, o plus size deveria morrer ou se reinventar?

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