segunda-feira, 20 de abril de 2015

Banda para conhecer: Calle 13

segunda-feira, 20 de abril de 2015


Opa, e lá vamos nós de novo com outra banda favorita. O Calle 13 é porto-riquenho e tem um ritmo difícil de explicar. Formada pelos meio-irmãos Rene Pérez e Eduardo Cabra - que no início da carreira usavam respectivamente o apelido "Residente" e "Visitante" para explicitarem quem era o irmão que morava e qual ia visitar - e com os vocais da irmã mais nova de ambos, Illeana Cabra. O grupo mistura rap e hip hop com ritmos característicos da América Latina, o que por falta de definição melhor, é conhecido como "Urbano".

O Calle 13 estourou no momento reggaeton da música em espanhol e logo foi catalogado dentro de outros do mesmo gênero - lembra de Daddy Yankee e sua "Gasolina"? Apesar de pouco representar o que os porto-riquenhos fazem atualmente, foi o pé na porta para a banda chamar a atenção. Com letras politicamente incorretas, cheio de escatologia e um tom de sátira que ajudaram a banda a chamar atenção e se apresentar para o público sem se definir muito.



Mas enquanto rolava essa indefinição no álbum gravado em estúdio, Calle 13 mandou "o jogo virou, não é mesmo?" quando assumiu o lado social e gravou "Querido FBI" depois da morte de Filiberto Ojeda Ríos, em Porto Rico. Era o melhor dos dois mundos, com um disco estourado na Billboard e a banda ligada a causas humanitárias e letras mais engajadas. O resultado disso foi que um segundo CD mais coesoa, com críticas positivas e participações estrelares como o Bajofondo e o Orishas - e um monte de prêmios incluindo Grammys.

Por que ouvir?

Eu sei, desculpa, tá ficando grande, mas acontece que eu sou fã. Mas vamos ao motivo um: eles ficaram realmente bons em mesclar ritmos com rap e hip hop ao ponto de você encontrar de bossa nova, cumbia a jazz dentro dos álbuns - palmas para Eduardo Cabra, dono de todas as mágicas instrumentais desse grupo.  Com isso, temos sons ricos e ridiculamente bem elaborados, cheio de metais e instrumentos diferentões.

Soma-se a isso as letras de Rene, muito engraçadinhas e escatológicas nos primeiros e mais engajadas nos álbuns seguintes. Residente mantém a ternura apesar de ser um personagem controverso e sempre surpreende: tem a letra desabafo, tem a de lutas sociais, a romântica e ponto, as indiretas mais diretas que eu já vi.



Outra vantagem são as colaborações do Calle 13. Deus e mundo já colaboraram com os porto-riquenhos: dos renomados Mercedes Sosa a Ruben Blades, de gente que não faz músicas mas tem nome como Eduardo Galleano e Julio Assange, de grupos muito conhecidos da América Latina como o Café Tacvba a brasileira Maria Rita. Tem de tudo no samba dos porto-riquenhos.

Por que não ouvir?
Tem gente que acha o Calle 13 forçado, principalmente pela pose "vamos salvar o mundo" do Rene Perez. As vezes eu acho que ele rouba a cena pelas polêmicas e esquece a música, aparecendo mais que a banda, as vezes eu acho que a imprensa latina está predisposta a procurar pelo em ovo em tudo que ele posta nas redes sociais - e ele posta e interage muito.

Outra vertente do porque não ouvir está no porque ouvir: é um sambão de vários ritmos, com vocais femininos da Illeana e o rap/hip hop do Rene. Tem gente que ama, tem gente que odeia, o problema é que não dá para entender a discografia do Calle 13 com poucas músicas dado essa falta de "gênero" da banda.

Para iniciantes:

Apesar de ter canções ótimas ao longo da discografia, o álbum essencial do grupo é "Entren los que quieran" de 2010. Ali está um resumão de tudo que eles fizeram ao longo da carreira e dá para entender bem a sonoridade latina do Calle 13 e suas letras sociais e músicas para dançar. Além disso, a masterpiece do grupo está ali, "Latinoamerica" (que tem participação de Maria Rita), um hino da região que dá lágrima nos olhos.



O último álbum saiu ano passado. Apesar de "Multi Viral" ser excelente, o Calle 13 tentou de internacionalizar e correu para um instrumental mais geral, o que para mim, matou um pouco da mítica dessa banda que pegava ritmos marcantes latinos para fazer músicas matadoras, é um disco ótimo mas não acorda muito "o diabo nos quadris". Esse é o Spotify da banda. A banda subiu os álbuns completos no youtube.

PS: O Calle 13 fez dois shows no Brasil, estive no primeiro mas fiz tudo que uma fã precisa fazer no segundo: cheguei oito horas antes do show, fui a primeira a entrar, tinha camiseta da banda e perdi a voz completamente - de quebra, conheci a banda. Foi memorável.

2 comentários:

  1. conheci com "Latinoamerica" e não tem como não se encantar. Vou ouvir mais vezes porque esse gingado é bom, sei que vou adorar mais <3

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    1. Eles tem uma discografia extensa, vale a pena dar uma chance ;)

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