quinta-feira, 9 de abril de 2015

Festival É Tudo Verdade é gratuito e em várias capitais, veja indicações do que ver

quinta-feira, 9 de abril de 2015


Eu realmente gosto de documentários e costumo ver de basicamente qualquer tema - a vida é um negócio engraçado e as vezes até mais incrível que a ficção. Por isso, tenho um carinho especial pelo "É Tudo Verdade", festival exclusivo de documentários que acontece em São Paulo (9 a 19 de abril), Rio de Janeiro (10 a 19 de abril), Belo Horizonte (29 de abril a 4 de maio), Santos (7 a 10 de maio) e Brasília (27 de maio a 1 de junho). Com uma programação ótima e sessões gratuitas, vale a pena tirar um tempo para ler as sinopses e procurar o que mais interessa. Eu já fiz minha listinha do que eu quero ver e do que já vi e indico:

Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho
Filme de abertura do festival e último longa do documentarista. Ele já tinha gravado o doc quando foi assassinado, e a montadora Jordana Berg e o João Moreira Salles finalizaram o projeto. Nele, o cineasta Eduardo Coutinho entrevista diversos estudantes do ensino médio no Rio de Janeiro, perguntando sobre a suas vidas atuais e suas expectativas para o futuro. Ainda no festival, será exibido outro filme de Coutinho, "Santo Forte".

Alguém já viu "Cine Holliúdy"? É um filme sobre como a chegada da televisão em cidades pequenas do nordeste afetou a vida dos cinemas locais (e de quebra uma comédia deliciosa), uma especie de "Cinema Paradiso" nordestino. Esse filme do Walter Carvalho tem um mote parecido, e usa um cinema abandonado e em ruínas no interior da Paraíba como cenário inicial de um filme sobre o cinema, com vários depoimentos de cineastas famosos, praticamente um exercício de metalinguagem.

Documentários sobre os casos de tiroteio sempre chamam atenção (como "Tiros em Columbine"). O doc investiga porque um jovem matou oito pessoas a tiros numa escola nas imediações de Helsinque. O filme reconstitui as circunstâncias do chocante episódio de 2007, com depoimentos de colegas, professores e pais, e imagens do YouTube feitas pelo próprio garoto.



Documentário musical é sempre o máximo, né? Esse é produzido pelo Netflix e quem perder, vai conseguir ver depois no streaming. A trajetória de Nina Simone (1933-2003), compositora, cantora e ativista dos direitos civis e do movimento negro nos EUA, é redescoberta neste documentário a partir de raros materiais de arquivo. Sundance e Berlinale, 2015. 

A ditadura ainda é um período meio nublado na história do continente e sempre me impressionam histórias da época. Em 1983, dois anos antes do fim da ditadura uruguaia, chega a Montevidéu um avião repleto de crianças, filhas de exilados políticos, enviados pelos pais para conhecer seus familiares. Seis deles falam da importância do episódio para a redemocratização do país e da experiência de serem “filhos do exílio”. 

Mais um sobre o mesmo tema. A cineasta Natalia Bruschtein conta a história de sua avó, Laura Bruschtein Bonaparte, uma das fundadoras do movimento das Mães da Praça de Maio, na Argentina. A velhice lhe traz a perda da memória mas também alivia a dor de uma mulher que lutou durante toda a vida pelo direito à memória histórica.

O homenageado do ano com vários filmes no festival. Nesse, as histórias dos trabalhadores, de todas as partes do Brasil, que vieram participar da construção da nova capital, Brasília, fazendo um inventário das humilhações e abusos sofridos. 

Ganhou Oscar de melhor documentário e isso já um ótimo cartão de visitas. A cineasta Laura Poitras e o repórter Glenn Greenwald foram encontrar Edward Snoden, o analista de sistemas que denunciou os mecanismos de um incrível sistema de espionagem mundial, pessoalmente em Hong Kong. Oscar de documentário de longa-metragem. 



No Mato Grosso do Sul, a cineasta Lucia Murat mostra o impacto da chegada da eletricidade e da televisão e os impasses decorrentes de conflitos com pecuaristas, que invadiram parte de uma reserva. 

Esse inclusive já falei por aqui. Imagens inéditas dos horrores dos campos de concentração alemães logo após o final da II Guerra Mundial constituem o cerne deste filme memorável, que foi reencontrado e restaurado. 

Primeira ferrovia do Brasil, a Barão de Mauá tem 161 anos, mas pouco dela restou. Além dela, milhares de estações abandonadas no país testemunham a decadência do transporte ferroviário, que foi símbolo de progresso e integração. 

Meu maraca mudou de cara mas ainda tem um coração. Desde sua construção em 1950, a Geral do Maracanã era o lugar destinado ao povão. Dedicado à memória destes torcedores, o filme analisa as mudanças na reforma do estádio, em 2010.

Esses são alguns dos filmes da mostra, que conta com 109 títulos de 31 Países. Como disse lá em cima, todas as sessões gratuitas (falei que era ótimo) de A programação oficial e endereços dos cinemas estão no site oficial do festival. Para acessar, clique aqui.

3 comentários:

  1. Fiquei doida pelo "A Noite Chegará" depois que li seu post, mas o horário no Rio é muito bosta. :(

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    1. Tem na internet sem legenda, foi onde eu vi. É um negócio bem chocante.

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    2. Ok, vou procurar, jogar no e-mail e esperar até ter estômago.

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