quarta-feira, 6 de maio de 2015

O suspense hitchcockiano de "Segredos de Sangue"

quarta-feira, 6 de maio de 2015


Há um tempo atrás resolvi ver todos os filmes de Mia Wasikowska - sim, eu tenho obsessões com atores e vejo muitos projetos deles ao mesmo tempo - e cheguei a "Segredos de Sangue". O longa é um thriller psicológico sobre a família Stoker (do título original). Na história, India Stoker (Mia Wasikowska) é uma jovem excêntrica, a clássica esquisita da turma, que perde o pai. No enterro, Tio Charles (Matthew Goode), um parente que ela nunca ouviu falar, anuncia que passará uma temporada com ela e sua mãe Evelyn Stoker (Nicole Kidman). 

A história é contata no ponto de vista de India, o que nos carrega para um clássico do roteiro de Hitchcock: está tudo lá desde o início, mas como você telespectador, só sabe sobre as coisas que a personagem de Mia vivencia, a ficha vai caindo ao longo do filme. É o amadurecimento de India através da história perturbadora de sua família - que lembra lá de longe o clássico de Park Chan-Wook, diretor de "Oldboy" e que estreia em longas em inglês com "Stolker".




Já percebeu que não vou falar muito, né? Porque faz parte da graça de "Segredos de Sangue". Eu assisti sem fazer ideia do que tratava, incluindo a sinopse, e o entretenimento é perceber que o charmoso Tio Charles tem algum segredo, ver como ele entra na família disposto a suprir a falta do pai, e como India começa a ser envolvida pela relação com o tio.

Mais do que qualquer coisa, o que me chamou atenção do filme foi a fotografia. Linda e cheia de tons saturados, ela conta uma história a parte. Na película, ambientação e figurino, o amarelado, alaranjado e tons terrosos ganham destaque para valorizar o tom mais vivo de todo a pelicula: o vermelho sangue. Falando em figurino, confesso que curti como o estilo India ajuda a contar a história. Ela usa os sapatos em modelo oxford durante toda a vida - e estou meio apaixonada pelo modelo e a procura de um sapato mais "bruto", assim como o da personagem. 




O figurino é assinado em Kurt Swanson e Bart Mueller (aqui a dupla explica com detalhes o trabalho), que usam as peças para mostrar como India ganha independência ao longo do roteiro. As pequenas mudanças entre a personagem do inicio e a do final ajudam a montar o quadro geral da nossa protagonista e de seus dois parentes. Evelyn Stoker quer mostrar que ainda é jovem e pode reerguer sua vida, então quanto mais envolvida, mas tons de rosa usa. O amarelo é o tio, e a todo momento itens dessa cor aparecem para lembrar como ele está ao redor de tudo.

Curiosamente, o roteiro é assinado pelo protagonista de Prision Break Wentworth Miller, em sua estreia na função. O filme é ótimo e uma fábula sobre o crescimento - apesar de toda a confusão familiar. Só achei que o final poderia ser melhor porque ele é direto demais para todo o direcionamento do longa. Acho que algo mais ambíguo acompanharia o tom, mas a escolha do diretor serviu bem a história.

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