segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lendo a etiqueta: você sabe de onde vem sua roupa?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
(Campanha incrível da Canadian Fair Trade Network que conta a história por trás da etiqueta. O Adnews traduziu as peças, vale a pela ler) 

A gente já entendeu como tirar vantagem na compra ao ler a etiqueta e descobrir a composição do tecido (e de quebra entendemos um pouco mais sobre os símbolos de lavagem), mas vamos pra outro papo sério na etiqueta: o local de fabricação. Na maioria das vezes não reparamos nessa informação, e quando muito somos levadas a crer pela etiqueta "produto importado" que a peça teve algum cuidado a mais na produção. Na verdade, a grande maioria ou é fabricada em países pobres e sem leis trabalhistas (para baratear os custos). 

Quando não tem informação sobre ser importado ou não, a procedência da peça é ainda mais turva. Com as empresas globalizadas, fica muito mais difícil identificar de onde vem suas peças. Muitas lojas (caras inclusive) encomendam peças nas sweatshops de lugares como China e Indonésia,com estrutura péssima, qualidade de trabalho ruim e salários minúsculos. Com um sistema tão injusto como esse, é preciso pensar: está valendo a pena ser parte desse processo?




Comparação feita pelo reality "Sweatshop Deadly Fashion", em que blogueiras de moda vão trabalhar em uma fábrica no Camboja e ficam chocadas com as condições locais. 

"Mas fazer o que se todas as lojas tem locais em etiquetas meio duvidosos?

Como até aqui no Brasil temos casos de trabalhadores análogos a escravidão, fica difícil não desconfiar da fabricação das peças. Ai vai algumas dicas para comprar sem financiar esse crime:

1) compre com os pequenos: isso mesmo, tente comprar com quem faz. Nesse post eu dou ideia de locais para comprar direto com o artesão/estilista. Tem preço justo e você tem certeza da procedência do material. No post de como comprar lingerie na internet também tem algumas dicas;

2) Baixe o aplicativo "Moda Livre": feito pela organização não-governamental Repórter Brasil. Eles investigaram algumas empresas e classificaram seu modo de produção, próprio, terceirizado, já denunciado pelo ministério do trabalho e etc. Vale como informação;

3) Desconfie de preços baratos: gostou de uma peça de uma loja grande/fast fashion? Olhe o aplicativo e se tiver tudo bem, analise o preço e a qualidade. Apesar de empresas com preços altos também participarem desse esquema, dá para perceber com mais facilidade que uma peça muito barata pode ter um sistema de entrega para o consumidor suspeito;

4) Lide com suas roupas: você já as comprou, independente do processo que elas passaram. Lave e cuide de suas peças para durarem mais e não precisarem ser trocadas. A mesma lógica funciona para brechós.

5) Se souber de algo, denuncie ao Ministério do Trabalho. Mais informações no site da instituição.

Para continuar lendo a vendo a respeito, aconselho o documentário "True Cost" que mostra como funciona os esquemas das fábricas, a vida de quem trabalha costurando para grandes empresas e como é um serviço pesado e pouco valorizado. Outra leitura que vale muito a pena é da Revista Azmina, cheia de dados e links sobre o custo da moda.

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