quarta-feira, 19 de julho de 2017

Agnus Dei: feminino, feminista e o grande medo das mulheres

quarta-feira, 19 de julho de 2017


"Agnus Dei" entrou no Netflix ontem e corri para assisti. Era desejo antigo, de quando eu morava longe de cinemas que passavam filmes com legenda (e ainda francês, olha a audácia). Foi a reação do que eu estava esperando. "The Innocents" no original, narra a história da ajuda improvável de Mathilde (Lou de Laâge), uma médica francesa ateia e comunista, a religiosas de um convento que foram estupradas e ficaram gravidas e/ou com doenças venéreas durante a segunda guerra mundial.

É um longa-metragem sobre o feminino e também feminista e dirigido por uma mulher, Anne Fontaine. Passa pelo bechdel com sucesso (já falamos disso antes) e estranhamente o manic Pixie dream girl do filme é Samuel (Vincent Macaigne), médico judeu que está ali só para nos lembrar que Mathilde tem vida além dos muros do convento, trabalhando, saindo e transando com o companheiro de Cruz Vermelha. São vários ângulos de um grande medo das mulheres, o estupro, e suas personalidades diferentes reagindo ao ocorrido.





Temos as lembranças das freiras, o estupro de Mathilde e a reação logo após o caso, as freiras que decidem ser mães, uma das grávidas que parte deixando o bebê para trás e as outras muitas que ajudam a criar as crianças. Talvez por isso, eu encare isso como um dos pecados do longa: ele está tão focada nas gravidezes surpreendentes que são poucos e bons os momentos que mostram as vivências pós-violência das religiosas.

Além disso, precisamos lidar com nossa impotência nos casos: Mathilde se envolve com o caso depois de ser chamada as pressas por uma freira que não aguentou os gritos de dor de uma irmã de clausura - e que é repreendida pela madre superiora por não respeitar o "segredo" e poder causar problemas para religiosas que deveriam ser virgens e esposas de Deus. São duas horas de limites testados sobre culpabilidade da vítima, acobertamento da religião a casos monstruosos e a dúvida de como a maioria delas ainda mantém a fé apesar da violência.



Visualmente, é um filme como outros de guerra, com imagem fria e carência de cores além do verde militar e do tom cinzento. É bonito ver a relação de proximidade e confiança entre Mathilde e as irmãs, mas é triste saber que é baseado em fatos reais.

Sinopse: 
Durante o fim da Segunda Guerra Mundial, na Polônia, a enfermeira francesa Mathilde (Lou de Laâge) descobre que as freiras moradoras de um convento vizinho foram estupradas por soldados invasores. Muitas delas estão grávidas. Apesar da ordem de prestar socorro apenas aos franceses, Mathilde começa a tratar secretamente de todas as freiras e madres. Ela deve enfrentar os julgamentos das próprias pacientes, que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade, e se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja, mesmo uma enfermeira.

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